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POEMA "FICO CONTRADITÓRIO" DE BIANCA PEREIRA

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FICO CONTRADITÓRIO Quando tinhas nada, fui tudo, quando tinhas tudo, fui nada... quando eras tristeza, fui porto de abrigo, agora que tens abrigo, eu não tenho "morada"... Abandonas quem bem te quer? Persistes em quem mal te faz? Ah, mas não era "p'ró que der e vier", não. Para ti, tanto te faz... Mas o que andamos a fazer? Sais completamente feliz e eu aqui a sofrer? Dizes "não foi por um triz", "estivemos quase lá". Vais embora sem olhar para mim, sem olhar para trás! Posso dizer que "te amo", contra o vento, sobre as marés, além da chuva, em cada raio solar, sobre minha alma que só te sabe chamar... Hoje, digo "OBRIGADA", por quem foste, por quem sou, obrigada como quem ama, obrigada vindo de quem lutou... Por último, "ADEUS", a quem amo, a quem sempre amarei, adeus, amor, que bonito eras, adeus coração pelo qual me levantei! ADEUS que já não fico, ADEUS a quem não ficou, ADEUS a quem eu amo, ADEUS a quem nunc...

QUEM AMA NÃO VAI - BIANCA PEREIRA

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  Quem ama não vai, não deixa frases no ar, não diz "talvez amanhã" quando sabe onde quer ficar... Quem ama sustentsa o peso do que sente sem fugir, não troca presença real por conforto de existir... Tu escolheste a distância, Eu escolhi não mentir. Perdeste um amor possível por medo de o assumir... E isso não é azar, nem karma, nem condição, é só a consequência exata da própria intenção!                                                        Bianca Pereira

AMOR NÃO É LABIRINTO - BIANCA PEREIRA

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  Amor não é labirinto nem teste de resistência, quem complica o que é simples, já decidiu a ausência. Quiseste metade do risco, inteiro, só o prazer, querias ficar com o fogo sem nunca te queimar por querer. Chamaste confusão de fase, silêncio de proteção, mas quem sabe o que sente não negocia direção. O amor não pede tradução, não vive de interpretação, ou se fica por inteiro ou se sai sem explicação...                    Bianca Pereira

GEOMETRIA DO MEDO - BIANCA PEREIRA

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 Geometria do Medo O Amor vinha em linha reta, mas o medo desenhou curvas, transformou certezas sólidas em desculpas vagas e turvas! Disseste "não é o momento", como quem foge do espelho, mas tempo nenhum resolve quem treme diante do desejo. Eu fiquei onde era claro, tu viraste onde era fácil, e chamaste maturidade ao teu pavor disfarçado de espaço. No fim, sobrou a verdade nua, não era falta de sentimento, era excesso de ti em permanente adiamento...                                                                                 Bianca Pereira

JÁ FAZ UM TEMPO - POEMA POR LEONOR CINTRA

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- Já faz um tempo que morri, mas o meu corpo ainda está aqui. Só peço, deixa-me ir... - Então? Diz-me porquê? - Por que eu não posso estar contigo? O que fiz para merecer isto? Por que tem de ser assim? Por que não posso ser feliz? - Já podes soltar a minha mão. Não vale a pena, não; sei que tudo vai ser em vão. - Então, vai embora; o meu mundo caiu lá fora. Leonor Cintra

"SOIS COMO VASCO DA GAMA - LEONOR CINTRA

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 Sois como Vasco da Gama Ouvindo o mar que me chama Sois como um soldado de trincheira Como um sonho em cima da montanha à beira, Seguindo e ouvindo O som do chicoteado Som dos tiros soando no ar Cheiro de desespero para matar Quintais, florestas e minas em tanto lado, Sons que aterram acima de tudo. Vejam o mundo iluminado Em arrogância, em luto. Achais que irais passar o Cabo das Tormentas, Sendo o tormento dos outros países? Quantos reis mandareis perder a vida? Até percerberdes que a escravidão te deixa em dívida Vasco da Gama... Sua alma leve e humilde, Seu coração de mar e bondade. Dia 25 de abril de 1974, Salgueiro Maia Se não fosses tu nem sei o que aconteceria, Sua humildade e bondade, Sem perceber, deu voz a Portugal, Agora, cada um decide. A sua bravura e fome de justiça afastou o mal. Luís de Camões e Fernando Pessoa, Dois escritores que se comparam Como deuses da poesia Nem a morte os para.

"O MEU OUTRO LADO" - LIVRO PUBLICADO DA NOSSA ALUNA BIANCA PEREIRA

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Encontra-se em exposição na Biblioteca da Sede do Agrupamento de Escolas de Almodôvar o livro de poemas da aluna Bianca Pereira (8º ano). É um orgulho notar a excelência da edição e a beleza dos poemas que preenchem um livro tão precioso e raro. Parabéns, Bianca! Continua a escrever e a publicar!  

DIA MUNDIAL DA POESIA E DA ÁRVORE - LUÍS DE CAMÕES

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Árvore, cujo pomo, belo e brando, natureza de leite e sangue pinta, onde a pureza, de vergonha tinta, está virgíneas faces imitando; nunca da ira e do vento, que arrancando os troncos vão, o teu injúria sinta; nem por malícia de ar te seja extinta a cor, que está teu fruito debuxando. Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo a meu contentamento, e favoreces com teu suave cheiro minha glória, se não te celebrar como mereces, cantando-te, sequer farei contigo doce, nos casos tristes, a memória. Luís Vaz de Camões,  (1524 -1580),  Sonetos.

DIA MUNDIAL DA POESIA E DA ÁRVORE - WILLIAM SHAKESPEARE

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    Amar quem Está tão Próximo da Morte Esta estação do ano podes vê-la em mim: folhas caindo ou já caídas; ramos que o frémito do frio gela; árvore em ruína, aves despedidas. E podes ver em mim, crepuscular, o dia que se extingue sobre o poente, com a noite sem astros a anunciar o repouso da morte, gradualmente. Ou podes ver o lume extraordinário, morrendo do que vive: a claridade, deitado sobre o leito mortuário que é a cinza da sua mocidade. Eis o que torna o teu amor mais forte: amar quem está tão próximo da morte. Tradução de Carlos de Oliveira William Shakespeare

DIA MUNDIAL DA POESIA E DA ÁRVORE - MIA COUTO

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ÁRVORE Onde os frutos maduram: sal e sol em minhas veias, luz e mel em boca alheia. Onde plantei a alta acácia das febres eu mesmo me deitei, para ser a raiz da semente, e de madeira e seiva se fez o meu corpo. Agora, chove dentro de mim, em minhas folhas se demoram gotas, suspensas entre um e outro Sol. Em mim pousam cantos e sombras e eu não sei se são aves ou palavras.   Mia Couto

DIA MUNDIAL DA POESIA E DA ÁRVORE - FLORBELA ESPANCA

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Árvores do Alentejo Ao Prof Guido Battelli Horas mortas... Curvada aos pés do Monte A planície é um brasido... e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol posponte A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis! Olhai e vede: - Também ando a gritar, morta de sede, Pedindo a Deus a minha gota de água! Florbela Espanca

DIA MUNDIAL DA POESIA E DA ÁRVORE - FERNANDO PESSOA

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  Árvore verde, Meu pensamento Em ti se perde. Ver é dormir Neste momento. Que bom não ser estando acordado! Também em mim Enverdecer Em folhas dado! Tremulamente Sentir no corpo Brisa na alma! Não ser quem sente, Mas tem a calma... Eu tinha um sonho Que me encantava. Se a manhã vinha, Como eu a odiava! Volvia a noite, E o sonho a mim. Era o meu lar, Minha alma afim. Depois perdi-o. Lembro? Quem dera! Se eu nunca soube O que ele era. Fernando Pessoa

DIA MUNDIAL DA POESIA - A SEMELHANÇA ENTRE A POESIA E A VIDA - DE BIANCA P.

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  A SEMELHANÇA ENTRE A POESIA E A VIDA Poesia é o sopro do tempo, um instante que se faz eterno, é o verbo em flor, o alento nos lábios do vento materno. No peito do poeta, é lume, brasa viva a incendiar a alma, é dor que se faz perfume, é caos que se veste de calma. Para quem lê, é espelho e abismo, é encontro, fuga e redenção, é trilha incerta do ritmo no pulso da imaginação. É lágrima que dança em rima, é grito silente na escuridão, é o que se perde e se recria, a sombra e a luz da criação. Na vida de todos, é fenda por onde a alma respira, é vida que nunca se prende, é tudo o que o tempo não tira. Bianca P.

O POEMA DIALOGADO entre BIANCA e BEATRIZ

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 - O Meu desejo hoje tornou-se um segredo, não daqueles que causem felicidade futuramente, mas, sim, um castigo que me prendeu atualmente... - "Opá", não sei se podemos chamar de sentimento porque o sentimento, com o tempo, desaparece, mas uma mágoa passada permanece... A dor não é algo que se descreva porque, por mais que fales mal dela e digas o quanto dói, ela não se afeta, muito pelo contrário, ela afeta-te. Na realidade, só tu sabes o que sentes e, por vezes, nem tu própria sabes... - Se não te ajudas, quem te vai ajudar? Se não chorares contigo, quem te vai aturar? Se não confias em ti, em quem vais confiar? Se nem a ti te aceitas, quem vais "priorizar"? Se nem contigo própria consegues falar, com quem vais falar? - É a tal "cena": por mais que te esforce, por mais que lutes, por mais que tentes, se não estiveres em primeiro lugar, ninguém vai estar. - Dói muito tentar chegar à perfeição e não a conseguir alcançar, porque, na realidade, para os outro...

DIA MUNDIAL DA POESIA V por SOFIA PEDRO - "VELHO"

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VELHO   Sentado na pedra, à soleira da porta Encontrei um velhinho que olhou p’ra mim... Sentei-me a seu lado, na escada torta, E mirei-lhe os olhos que não tinham fim...   Embalada suavemente pelo sol de estio, Ouço a sua voz rouca pelas estações... E as histórias que conta por horas a fio São as mãos que embalam as minhas orações.   No riso sem dentes espelha-se a verdade, Pureza singela de coração tão terno... E em cada som encontro a saudade Da lareira acesa no pico do Inverno.   Quero sentir que faço parte desta vida, Da vida que encontro e que está aqui, Na ilha de sonho que encontrei, perdida, Nos olhos de um velho que, assim, sorri.

DIA MUNDIAL DA POESIA IV por SOFIA PEDRO - "SOMOS TRANSPORTADOS AOS OMBROS DE GIGANTES"

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  SOMOS TRANSPORTADOS AOS OMBROS DE GIGANTES   Somos transportados aos ombros de gigantes, Mas não sabemos Voar... A vida que antes Nos pertencia é o ar Que nos escapa e que tememos.   Dentro do éter aromatizado e cristalino Vergam-se as costas, os olhos, a mente Sobre o mar. O salto dado é repentino, Compungente, E a brusquidão obriga-nos a acordar.

DIA MUNDIAL DA POESIA III por SOFIA PEDRO - "QUERO O AMANHÃ"

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  QUERO O AMANHÃ   A energia invade-me! O que é isto que sabe tão bem?!... Porque me sinto mais leve do que o ar? Que milagre me deixou assim, extasiada, sem reparar Que só preciso de mim e de mais ninguém?...   Quero subir mais e mais. Ascender sem ter medo de cair, Tocar o céu com as minhas mãos incipientes. Provar o dom de saber que cada dia é diferente, Que se há luz, há sombra, que se chego também tenho de partir.   Os olhos sorriem, abertos a tudo o que conseguem ver, Os dedos acariciam o ar, desejosos de provar o éter Infinito, a vida acesa em raios de luz e cor.   Quero tudo o que puder ter enquanto o meu tempo não cessar, Porque se ontem fui deserto seco agonizando pelo ar, Hoje quero o amanhã, a loucura, a alegria e a dor.

DIA MUNDIAL DA POESIA II por SOFIA PEDRO - "VOZ ATIVA"

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  VOZ ATIVA   Tocaram-me de longe… Foi breve o toque, Mas logo todo o tecido da vida vibrou, Como ondas que uma pedra alguém lançou Num lago absorto, agitado pelo choque.   Senti a vida feita de energia invisível A surgir como luz no meio da escuridão, E lancei as imagens pré-fabricadas ao chão Num único movimento imprevisível.   O que foi, o que é e tudo aquilo que será Não é o que me dizem, mas o que alimentará Os sonhos que me levam ao longo do caminho.   E se um dia fui aquela voz que eu julgava ser passiva, Hoje compreendo que para se ser voz ativa Basta esta força omnipresente que não vejo, mas adivinho…

DIA MUNDIAL DA POESIA I por SOFIA PEDRO - "TERRAMOTO"

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  TERRAMOTO   Uma mão e outra mão abrem o espaço em meu redor… Cada dedo que me toca tange perto do meu peito Uma corda e um efeito Sem perfume e sem sabor.   Ergo os olhos e o infinito, tão azul e tão vazio, É aquilo que eu sinto no meu peito a palpitar: Nada mais que vento e ar Feitos de chuva e de frio.   Sou aquela ilha nascida da natureza, Tornada viva pela força da certeza Que também tenho direito a viver…   Por isso sacudo o pó e levanto-me do chão, Cerro as fileiras, reforço o coração, E a partir de agora pode vir o que vier!

"ALMA" - POESIA de SÓNIA PEDRO - Dia Mundial da Poesia

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           ALMA   Maior do que a Vida Maior do que o Mundo Maior do que tudo Sem teto nem fundo   Mais alta que o Céu Mais funda que o Mar Maior do que eu Possa imaginar   Nunca a vi de perto Nem mesmo de longe E quando desperto Sei que ela se esconde   Está dentro de mim É mais do que eu Espelho sem fim De tudo o que é meu.