CRÓNICAS DE SANTA CRUZ , PARTE III - FOTOS E TEXTO POR MÁRIO SOUSA ESTEVES
Um pouco afastada do núcleo
urbano da povoação encontram-se a Igreja Paroquial de Santa Cruz, também
conhecida como Igreja Matriz de Santa Cruz, a que se acede por uma azinhaga ou
um estradão entretanto aberto e as ruínas da Capela de São Bento.
A edificação da igreja remonta
provavelmente aos inícios do séc. XVI, por D. Fernão ou Fernando de Mascarenhas
(capitão dos ginetes de D. João II e de D. Manuel, alcaide-mor de
Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal e comendador de Mértola e de Almodôvar) ou por
sua esposa D. Violante Henriques (filha de Fernão da Silveira, escrivão da
puridade de D. Afonso V, e de D. Isabel Henriques, descendente de Henrique I de
Castela, cujo panteão se encontra na Igreja Matriz de Alcáçovas); a sepultura
de D. Violante e de seu marido encontra-se na Igreja de Nossa Senhora do
Espinheiro (Évora) na qual estão representadas as armas de ambos, iguais às que
se encontram pintadas na abside da Igreja de Santa Cruz.
No lavatório da sacristia está
inscrita o ano de 1681 e na soleira da porta do mesmo lugar o ano de 1740,
datas nas que ocorreram possivelmente a construção da sacristia e o remate da
torre sineira.
As insígnias da Ordem de Santiago figuram na abóbada da capela-mor, lavatório da sacristia e no portal.
O templo é de planta
longitudinal e de três naves, cobertura de madeira - a nave central de masseira
e as laterais de uma água -, capela-mor com abóbada estrelada e abside
facetada. As arquivoltas do portal, os capitéis das colunas são decorados com
motivos naturalistas e os contrafortes da capela-mor rematam em merlões
chanfrados de cariz manuelino.
Na pintura mural da capela-mor
podem observar-se um painel representando Santa Luzia e Santa Apolónia, na
abóbada um pequeno fragmento de um rosto, e no arco triunfal vasos de flores
sobre peanhas.
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