CRÓNICAS DE SANTA CRUZ , PARTE I - FOTOS E TEXTO POR MÁRIO SOUSA ESTEVES
Santa Cruz
Santa Cruz é
sede da freguesia do mesmo nome, concelho de Almodôvar, com 123,38 km2 de área
e 483 habitantes, segundo o censo de 2021, ou seja, uma densidade populacional
de 3,9 hab./km2.
Ao longo dos anos e apenas se
conhecem registos a partir de 1864 (1427 habitantes), registou o seu maior
número em 1930 (2420 habitantes), tem vindo sucessivamente a perder população
até ao censo de 2021, sendo predominante a faixa etária de 25 - 64 anos
(registos a partir de 2001), e a distribuição por sexo: 249 indivíduos do sexo
masculino e 234 indivíduos do sexo feminino.
De salientar o número de
habitantes com 65 ou mais anos de idade (229 indivíduos), que é comum aos
registos de população das regiões de interior.
Tem 459 eleitores inscritos no
recenseamento eleitoral nacional.
O número de edifícios é de 721
- 341 construídos antes de 1945 -, quase todos de um ou dois pisos e fins
residenciais, sendo 248 de residência permanente e 300 com necessidade de
reparação.
Os moradores dedicavam-se à
agricultura e pecuária (o que ainda persiste em menor escala), grandes e
pequenos lavradores, a maior parte jornaleiros, pastores (“moirais”),
mondadeiras e outros ofícios: albardeiro, carreteiro, ferradores, pedreiros,
moleiros, barbeiros, cadeireiro, sapateiros, costureiras …. Existiam três
tabernas com mercearia. Também começava a haver quem se deslocava para
trabalhar fora da localidade e pouco mais tarde já se prenunciava um percurso
inverso ao secular - que era deslocarem-se do Algarve para trabalhar no
Alentejo -, a par da emigração.
Em tempos mais recentes, a
padaria que existia encerrou, facto que alguns apontam ter contribuído para um
certo abandono e declínio da aldeia.
Das três tabernas que existiam
apenas subsiste a Colmeia do Vicente, provavelmente a mais lembrada pelas
qualidades humanas dos donos, a senhora Bia, com fama de boa cozinheira -
batiam-lhe à porta a desoras e levantava-se para servir petiscos aos fregueses
- e o marido Vicente, que acumulava ainda os afazeres de barbeiro e sapateiro,
de espírito folgazão e amigo da pândega. Um dia serviu um copo de vinho quase
meado a um cliente e este reagiu:
- “Atão, Vicente!”
- “É para não entornar…”,
redarguiu o “tio” Vicente, com um sorriso nos lábios.
(Atualmente o estabelecimento
é regido pela filha Paula e o neto Cláudio.)
A povoação tem um alojamento
local: O Monte dos Três Moinhos, nome que deriva do facto de ter três moinhos
de vento (restaurados), cuja data de edificação, os proprietários dizem ser do
ano de 1753. Existem ainda na freguesia: o Centro Cultural de Santa Cruz (sem
atividade e com edifício próprio, doado recentemente à Junta de Freguesia; em
tempos foi criada a Associação Social de Beneficência e Progresso de Santa Cruz
- Lar São Gabriel, com a finalidade, como se deduz da designação, de lá criar
um lar de idosos), a Associação de Caçadores de Santa Cruz, a Associação de
Caçadores e Pescadores do Monte das Viúvas / Corte Figueira e o Grupo Coral “As
mondadeiras” de Santa Cruz.
O Grupo Coral “As mondadeiras”
de Santa Cruz é um coro misto de cante alentejano que surgiu em maio de 1999,
por ocasião de um “Cortejo Etnográfico de São João”, realizado nesse mesmo ano
na vila de Almodôvar e ocupa as instalações do Centro Cultural de Monte das
Viúvas, onde ensaia semanalmente.
Do grupo inicial fazia parte a
senhora Noémia que “fazia o alto” (com as senhoras Amália e Cidália) e iniciava
as modas (com as senhoras Amália e Dolores).
A senhora Noémia, também
conhecida como “Aidinha”, ainda tem uma bela voz e alia dotes culinários a ser
um autêntico repositório da vida de outrora no Alentejo, os seus costumes e
tradições.
Da freguesia de Santa Cruz fazem parte outras aldeias: Monte das Viúvas, Dogueno (tramo da Estrada Nacional 2 - EN2 -, Almodôvar/S. Brás de Alportel, Casa de Cantoneiros), Telhada (ruínas de moinhos de vento), Corte Figueira Mendonça (arco triunfal e altar-mor da igreja – séc. XVII), Romba (tem uma queijaria e o lugar mereceu a atenção de israelitas, assim como o lugar da Pipa - limite da freguesia com S. Pedro de Solis, concelho de Mértola -, que adquiriram terrenos e edificações, dedicando-se à atividade pecuária – caprinos de raça serpentina). Existem outros aglomerados populacionais, montes tradicionais da região do Alentejo - grande parte, residência ocasional ou permanente de estrangeiros -, com nomes sugestivos como California, Cerro da Águia, Monte da Alfarrobeira, Monte do Almarjão, Monte Branco do Vascão, Monte dos Corvos…
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